Não acredito em PCSs
Os Planos de Cargos e Salários (PCSs) foram criados para tornar transparente para todos nas organizações os motivos pelos quais alguém ocupa algum cargo e, talvez, justificar porque aquele cargo tem aquela remuneração. Bom, tem o objetivo também de organizar, racionalizar e clarificar a estrutura, segundo um grupo especializado que os implanta desde 1943…
Premissas básicas para que PCSs existam são: 1- uma estrutura hierárquica; 2- uma estrutura hierárquica estável; 3- e uma remuneração baseada nos níveis da hierarquia. Tudo claro e muito estável, para que os carreiristas (esses são os que mais felizes são com PCSs) possam sonhar com as posições elevadas na hierarquia da organização.
Em nome da transparência e para justificar a responsabilidade, a remuneração, e determinar a expectativa da organização com relação ao funcionário, os cargos e suas funções necessitam ser precisamente descritos e a.t.u.a.l.i.z.a.d.o.s. Os atributos necessários (formação, experiência comprovada, habilidades, etc) também estão lá, no manual, normalmente em papel…
É possível? A menos que as considerações acima estejam erradas, talvez, talvez sim, PCSs funcionem em indústrias estáveis, mas muito estáveis mesmo (você conhece alguma?).
Em indústrias dinâmicas, daquelas fundamentadas no conhecimento, daquelas que vivem em hipercompetição, as organizações precisam responder rapidamente a mudanças no mercado: os cargos desaparecem (e novos são criados); a hierarquia precisa (se for precisa) ser rasa, com alternância de líderes e; a comunicação é multi-direcional e ampla. As pessoas (o maior dos seus ativos) demandam maior autonomia, não podendo se limitar ao escopo num manual! A palavra de ordem é mudança, on the fly.
No cenário atual, as pessoas deveriam SER menos e ESTAR mais, deveriam desempenhar papéis (e não cargos), com responsabilidade coerentes com o papel desempenhado a cada cena e remuneração proporcional ao re$ultado do ato.
Não sei como fazer isso, mas tenho certeza que PCSs não mais fazem sentido. Organizações da era do conhecimento que insistirem em implantá-los no seu formato clássico têm grandes chances de criar mais uma piada
institucional, ou pior, um motivo a mais de frustrações.
Deixar/Ver comentário(1) 08 Mar 2007

por ele passava ofegante. Em minha defesa, só tenho a dizer, ele já tinha feito o caminho várias vezes.