Arquivo para Março, 2007

(Re)organização

Não acredito em PCSs

Os Planos de Cargos e Salários (PCSs) foram criados para tornar transparente para todos nas organizações os motivos pelos quais alguém ocupa algum cargo e, talvez, justificar porque aquele cargo tem aquela remuneração. Bom, tem o objetivo também de organizar, racionalizar e clarificar a estrutura, segundo um grupo especializado que os implanta desde 1943…

Premissas básicas para que PCSs existam são: 1- uma estrutura hierárquica; 2- uma estrutura hierárquica estável; 3- e uma remuneração baseada nos níveis da hierarquia. Tudo claro e muito estável, para que os carreiristas (esses são os que mais felizes são com PCSs) possam sonhar com as posições elevadas na hierarquia da organização.

Em nome da transparência e para justificar a responsabilidade, a remuneração, e determinar a expectativa da organização com relação ao funcionário, os cargos e suas funções necessitam ser precisamente descritos e a.t.u.a.l.i.z.a.d.o.s. Os atributos necessários (formação, experiência comprovada, habilidades, etc) também estão lá, no manual, normalmente em papel…

É possível? A menos que as considerações acima estejam erradas, talvez, talvez sim, PCSs funcionem em indústrias estáveis, mas muito estáveis mesmo (você conhece alguma?).

Em indústrias dinâmicas, daquelas fundamentadas no conhecimento, daquelas que vivem em hipercompetição, as organizações precisam responder rapidamente a mudanças no mercado: os cargos desaparecem (e novos são criados); a hierarquia precisa (se for precisa) ser rasa, com alternância de líderes e; a comunicação é multi-direcional e ampla. As pessoas (o maior dos seus ativos) demandam maior autonomia, não podendo se limitar ao escopo num manual! A palavra de ordem é mudança, on the fly.

No cenário atual, as pessoas deveriam SER menos e ESTAR mais, deveriam desempenhar papéis (e não cargos), com responsabilidade coerentes com o papel desempenhado a cada cena e remuneração proporcional ao re$ultado do ato.

Não sei como fazer isso, mas tenho certeza que PCSs não mais fazem sentido. Organizações da era do conhecimento que insistirem em implantá-los no seu formato clássico têm grandes chances de criar mais uma piada institucional, ou pior, um motivo a mais de frustrações.

(Re)organização

Aprendendo a pedalar…

Não sei se vocês ainda lembram como era andar de bicicleta… Para aqueles que esqueceram, ou estão a muito tempo sem praticar, eu aconselho tentarem novamente. A experiência, além de divertida e boa pra saúde, tem um paralelo interessante com a vida organizacional.

No final de semana passado, eu, o desafiante, e um tio, um senhor beirando os 60 anos, pegamos nossas bicicletas e fomos nos aventurar na estrada de Gravatá a Mandacaru. São mais ou menos,somando ida e volta, 34Km. A pista, por assim dizer, é em barro batido. Os buracos abundam, as pedras grandes surgem do solo a qualquer momento. Como se não bastasse, o sol é forte e as subidas são longas…

Mas o que mais me chamou a atenção neste passeio é que nem o condicionamento físico dos ciclistas, nem as bicicletas, justificariam a larga dianteira assumida pelo meu tio.

Frequentemente, lá estava ele, a 500m, 1Km a frente. As vezes, parava a bicicleta e ficava me esperando, pra recomeçar a pedalar quando eu por ele passava ofegante. Em minha defesa, só tenho a dizer, ele já tinha feito o caminho várias vezes.

Num trecho com tantos obstáculos, quem tira o olho da pista cai. Limitei então o campo de visão em torno dos 2 a 5 metros da bicicleta, sempre procurando escapar dos buracos e pedras mais próximos. Cabeça baixa o tempo todo, visão encurtada, estava a resolver localmente, um após o outro, os problemas que surgiam. Funcionou bem na maioria dos trechos, mas nas subidas, ah, as subidas… Tem-se que entrar nelas com o conjunto apropriado de marchas… Meu tio sabia disso!

Quem pedala também sabe, trocar marchas quando elas já são necessárias exige um esforço muito maior do ciclista. É principalmente aí que se perde tempo e energia. Não trocar é pior ainda! As vezes, dá pra chegar, mas lá se foi mais um pouco da reserva energética…

Trocar na pressão nos expõe a riscos elevados: frequentemente a corrente escapa, a marcha pula, e o jeito é parar. Mais tempo, mais energia…

Nas organizações ocorre o mesmo. Fazer mudanças quando elas já são necessárias é, em português muito claro, pra se fuder! No entanto, muitas vezes coloca-se foco apenas no curto prazo, nos problemas do dia-a-dia. Consome-se toda a energia para otimizar o que já se sabe fazer, ou no que já se deveria estar resolvido… Mas sem levantar a cabeça e olhar pra frente e pra fora, sem se preparar para o futuro, só se pega velocidade na descida. E aí, Sir I. Newton já dizia: a aceleração é a mesma pra todos!

Mas em cima, chega primeiro e com folga quem estiver preparado desde o início. Desde antes das mudanças se tornarem mandatórias. É isso, ou então, haja energia (em forma de dinheiro e tempo) para se gastar.