Arquivo para Junho, 2007

(Re)organização

O ritmo é o do mercado!

O nível de estresse do povo de vendas e negócios é um bom termômetro da desconexão de uma organização do seu mercado. Por estar na fronteira entre o mundo interno e externo, quando começa a desconexão, eles são os primeiros a serem triturados…

O mercado é uma máquina assíncrona (completamente). Os eventos do mercado para a organização são randômicos e exigem respostas imediatas. Por sua vez, em nome do bom funcionamento dos seus processos internos, a organização passa a agir como uma máquina síncrona! Datas para contratar, demitir, comprar, reunir, entregar, assinar contratos e até faturar passam a ser sagradas: o mercado que se ajuste a elas! Pois é, e ainda acham que têm foco no cliente…

“E, povo de negócios e vendas, parem por favor de fazer solicitações não planejadas!”

A máquina síncrona sempre ganha adeptos. São os defensores ferrenhos do determinismo. Sim, é sempre mais confortável não ter surpresas… Pensam eles ser possível, tornar pessoas em autômatos e a organização 100% previsível. E mais, todos, por favor, lembrem, no mundo síncronos, o ritmo é o do mais leeeeeennnnnttttoo.

Por sorte, para aqueles que gostam de vida (e adrenalina), o mundo lá fora não é assim. O mercado NÃO segue, o mercado NÃO se ajusta. E as organizações são criadas para servir a ELE! Ainda, a digitalização, a facilidade do acesso, vão tornar a nossa sociedade e o mercado enfim, muito mais assíncronos. Quem continuar pensando que o mundo se resolve por dentro e de forma controlada, sim, estes tem destino certo, e determinístico. Creia, a rua!

Liderança

Com ordens, não vai! E já faz tempo…

Nos remotos idos de 1860, um general prussiano, ousou quebrar um paradigma até então inconcebível para um exército daquele tempo, quem dirá prussiano! Moltke, The Elder, percebeu que o estrito controle empregado em toda cadeia de ação do exército, agora com talvez milhões de homens em campanhas que se estendiam por milhares de quilômetros, era … coisa (muito) ruim!

Moltke instituiu então o “sistema de diretivas” gerais para substituir as rígidas “ordens de operação”. No sistema de diretivas gerais, os subordinados recebiam tarefas de longo prazo, expressas em termos gerais, o que lhes dava considerável liberdade de ação, permitindo-lhes usar todo empenho e iniciativa na execução da missão.

Não sem muita oposição interna, acredita-se que o moderno sistema de comando implantado por Moltke foi responsável pela completa derrota do exército francês nas batalhas pela unificação alemã.

O que me dá nóia, é ver que ainda hoje, com internet, emails, celulares, mensagens instantâneas e tantas formas rápidas de comunicação e de dar voz as tropas, em plena era do conhecimento, muitos gestores ainda agem como os opositores de Moltke. Centralizadores extremos, inseguros patológicos, vaidosos de berço, usam de rédea curta para bloquer qualquer iniciativa dos subordinados. Enfiados em suas salas, tentam tratar de todas questões operacionais, tornando-se verdadeiros gargalos organizacionais.

Se você age assim, dê um pouco de crédito às idéias de Moltke. Ele terminou sua carreira como Marechal de Campo e Chefe Supremo do Estado-Maior Alemão. Dê liberdade de ação a sua equipe, porque, como dizia The Elder, “nenhum plano de batalha sobrevive ao contato do inimigo“, ou só quem esta em campo, sabe a melhor forma de agir!

Liderança

Organizações também envelhecem!

Muitas organizações, lá pelos 10 anos de existência, passam a sofrer da deficiência do envelhecimento (termo cunhado pela escola estratégica ambiental). É o momento pelo qual as vantagens competitivas iniciais, ou as capacidades construídas ao longo de um período, se transformam em fontes de inércia.

São os custos representados por fábricas, equipamentos e pessoal especializado, as forças políticas internas, as pressões sociais externas e a racionalidade coletiva que se tornam sólidas barreiras às mudanças.

Daí pra frente, as pressões pela conformidade são crescentes e a marcha implacável da racionalidade técnica-gerencial se expressa através de uma burocratização crescente. As ações organizacionais são mais rígidas; a organização torna-se menos capaz de implantar decisões verdadeiramente estratégicas. A maioria das mudanças são meramente superficiais…

O ambiente domina e a organização segue. Morte certa! Mudanças bruscas de ambiente não são antevistas, ou vistas, mas a organização tornou-se incapaz de seguí-las, de adaptar-se.

Acredito que existe uma saída, e passa por uma liderança visionária, insatisfeita, capaz de livrar-se do passado e fazer apostas no futuro, capaz de manter a organização empreendedora. Isaac B. Singer já dizia: “precisamos acreditar na vontade livre, não temos escolha”.