Arquivo para Novembro, 2008

Liderança, Pessoas

O que eles que estão dizendo…


Terça passada, dia 19-nov-08, estive num dos melhores eventos de que já participei como espectador: o Endeveavor CEO Summit. O evento foi organizado pela Endeavor, como parte da Semana Global do Empreendedorismo.
Participaram CEOs e Presidentes de grandes organizações brasileiras. Deu gosto de ouvir. Com pensamentos de vanguarda, alguns literalmente fora da caixa, os dirigentes ali presentes mostraram porque são o que são, e o motivo pelos quais suas organizações trilham um caminho de sucesso. Abaixo, transcrevo o melhor que consegui anotar das falas de cada um deles.

Marcelo Odebrecht. Presidente da Odebrecht, neto do fundador, a frente da Odebrecht, uma empresa com faturamento anual aproximado de R$ 50 bilhões.

“Somos uma confederação de pequenas empresas. Somos assim, porque não queremos deixar de pensar (pra dentro) pequeno. Não temos auditoria interna, não temos processos estabelecidos, não fazemos planejamento estratégico, não deixamos nunca de nos preocupar com custos! Somos caóticos, somos ágeis. Contamos em nossos quadros com 600 *empresários parceiros*. Gente que levamos 6 anos pra integrar a organização (by the way, o turnover lá é menor que 1%), mas que tomam as grandes decisões por nós, que nos trazem oportunidades de negócio. E nós respeitamos, mesmo quando achamos que eles estão errados. Foi assim que chegamos a 20 países, e operações diversificadas como uma petroquimica (Brasken)”

Laércio Consentino. Presidente da Totvs, a maior fábrica de software do AL, com faturamento chegando a casa dos bilhões, presente em 7 países.

“Um dos nossos princípios é *questionar para poder concordar*, só através do questionamento chega-se ao entendimento. Adquirimos nos últimos anos, várias empresas. Durante as aquisições, quem tinha valor ficou, arrumamos outro lugar. Passamos de 1500 pessoas a 9000 em 3 anos. Gente boa é o que há de mais difícil hoje. Trabalhamos sempre na zona do desconforto, com equipe mínima, mais um pouquinho de nada de gordura, para suportar crescimento. Tudo muda, menos os valores.”

Antônio Bonchristiano. Co-CEO e sócio da GP Investiments, cria do trio Jorge Paulo, Marcel Telles e Beto Sucupira.

“Nossa economia ainda é fechada, apenas cerca de 20% do PIB é trocado com outros países. O sucesso vem com pessoas certas, metas e incentivos. Sempre evite gastos desnecessários, tenha foco em produtividade e busque a eficiência suprema. Fazemos uma avaliação de desempenho total a cada 6 meses (a GP tem apenas 15 pessoas).”

Francisco Olsen. Presidente da Tigre.

“Começamos fabricando leques, pentes e piteiras de chifre de boi pra charuto! Hoje lançamos 300 novos produtos por ano. As fontes de inovação são: 1- os encanadores; 2- os balconistas; 3- feiras no exterior. Nas dificuldades, cortamos tudo, menos investimento em inovação. Não há sistema de premiação, o que sustenta a inovação é uma cultura que permite o erro, um sistema de gestão PARA a inovação (e não um sistema de gestão da inovação).”

Arthur Grynbaum. Presidente de O Boticário.

“Nossa grande inovação foi a franquia. Mas estamos sempre insatisfeitos, há sempre como fazer melhor. Estimulamos a inovação em todas as partes da organização, não somente para novos produtos, senão quem iria querer ficar na manutenção? O mais importante no processo é o retorno, quem submete uma idéia, quer que ela seja avaliada, e quer saber o resultado da avaliação. Se não for rápido, o processo não se sustenta. O maior ativo são as pessoas, sempre. Produtos são copiáveis, são comodities. O maior problema quando se está crescendo é se deixar engolir pela burocracia.”

Em comum, na fala de todos eles, o cuidado com PESSOAS!

(Re)organização, Pessoas

Qual o propósito de uma ONG? O que é?

A maioria tenta definir de forma funcional, como uma organização que ocupa um espaço entre a iniciativa privada e o governo. Sem fins lucrativos. Terceiro setor, Etc. Mas para quê?

Peter Drucker talvez tenha a melhor resposta. Drucker é considerado o pai do Management, um homem, para a administração moderna, literalmente a frente de seu tempo… Em 1959, quando o mundo ainda estava em plena revolução industrial, saiu dele a expressão “trabalhador do conhecimento”. Até a morte aos 95 anos, produziu 39 livros sobre gestão. Não li todos, mas todos que li recomendo.

A introdução é somente pra dar peso ao texto que copiei do prefácio do seu livro “Managing The Nonprofit Organization - Principles and Practices”. É como ele define e dá um o propósito às organizações sem fins lucrativos. Segue:

“…And we now begin to realize what that “something” is. It is not that these institutions are “non-profit,” that is, that they are not business. It is also not that they are “non-governmental”. It is that they do something very diferent from either business or government. Business supplies, either goods or services. Government controls. A business has discharged its task when the customer buys the product, pays for it, and is satisfied with it. Government has discharged its function when its policies are effective. The “non-profit” institution neither supplies goods or services nor controls. Its “product” is neither a pair of shoes nor an effective regulation. Its product is a changed human being. The non-profit institutions are human-change agents. …”

Alguma coisa mais nobre em vista para fazer?